B
Cara de Espelho "B" Official Album Playslist (2026)
Letras
Cego
Pelo credo
Prega mais um prego
Verga-te aos pés do teu senhor
Escuta e replica
O mantra da Mentira
Medo, desprezo e rancor
Dessa caneta sai a cruz que tu carregas
E essa dura realidade sempre negas
Toma a tua pá e cava uma cova no chão
No dia que te faltar o ar é que vais ter
noção
Quem aceita é parte da seita
Aceita e és parte da seita
Endireita
a pala
Mete outra bala
Ajusta a mira pra quem é
Estranho
fraco e pobre
Olha mas que sorte
Vais dar um tiro no teu pé
E seguindo a palavra de quem manda
Embriagado em doutrina e propaganda
És tu quem mais perde e ainda te sentes grato
Em terra de toupeira quem tem um olho é rato
Quem aceita é parte da seita
Aceita e és parte da seita
O fantasma que persegues só existe
Na forma de um domínio que consiste
Em fazer com que acredites que o
mal está só aí
Um mal que serve apenas como um mero álibi
Pra esconder o grande mal que alguém já preparou pra ti
Quem aceita é parte da seita
Aceita e és parte da seita
Olhem para o gigantone
A correr na avenida
Por muito que fanfarrone
Agora talvez questione
O rumo da sua vida
Muitos anos de entrudo
E desfiles carnavalescos
Adiar, adiou tudo
Não se dedicou ao estudo
Ganha a vida no grotesco
Ai o que foste
fazer
Ai o que foste
fazer
Passa o tempo em
ginásios
E grupos da internet
Como é seu apanágio
É comum vê-lo em
estádios
A saltar ao torniquete
Por ser tão desmesurado
Com o seu ar assustador
É por vezes contratado
Por agentes do diabo
Para espalhar o terror
Ai o que foste fazer
Ai o que foste fazer
No boicote a um lançamento
De um livro pra crianças
No calor do momento
Num achaque violento
Trouxe a mão cheia de tranças
Olhem para o gigantone
A correr na avenida
Por muito que fanfarrone
Agora talvez questione
O rumo da sua vida
Ai o que foste fazer
Ai o que foste fazer
Olhem para o gigantone
A correr na avenida
Agora talvez questione
O rumo da sua vida
Eu quis comprar uma roda
Porque todos iam comprar
E passo a vida agora
A girar a roda
Para a poder pagar
Achava eu com a roda
Iam ver que eu vivia bem
Agora com a vida às voltas
Não sei que volta
Esta vida tem
Quem na sua roda
Não sente o chão?
Quem não?
Quem não?
Quem não sente que
gira uma roda em vão?
Quem não?
Quem não?
Quem não pensa
Epá, vou pôr-lhe um
travão?
Quem não?
Quem não?
Mas tem medo de
dar
Algum trambolhão
Quem não?
Quem não?
Eu quis devolver a roda
(Sim, eu bem procurei saída)
Dar um salto borda fora
Ir-me embora, mudar de vida
Mas quem me vendeu a roda
É na roda que me quer
Faz me sentir com a cabeça à roda
que sem roda eu não sei viver
Refrão
Num mundo em que é a máquina que
pensa e vive por nós
Que nos aponta a direção
Que até usa a nossa voz
E compõe a canção
Num mundo em que o algoritmo dita o
que devemos ver, sentir
e não nos permite escolher
Que nos diz o que ouvir
Calar e comer
Aqui
Aqui aqui aqui
Aqui não há AI
Aqui aqui aqui
Aqui não há AI
Mas é certo e sabido que anda por aí
Aqui
Não há AI
Num mundo onde a evolução devia
livrar-nos do esforço ingrato
Para a humana criação
Se nos tira esse prazer
Pra que serve então?
Num mundo em que esta coisa vai fazer
tudo melhor que nós
O que será de nós assim
Se nada nos valoriza
… é o fim
Aqui
Aqui aqui aqui
Aqui não há AI
Aqui aqui aqui
Aqui não há AI
Mas é certo e sabido que anda por aí
Aqui
Não há AI
Apesar das provas
Faço aqui uma
manobra oratória
que o paleio tudo encobre
E para esconder a
careca
Vou contar-vos uma
história
Mesmo à cara
podre
Olhem p’ro que o
outro é
Olhem p’ro que o
outro diz
Olhem p’ro que o
outro faz
Mas não olhem
para mim
Apesar dos casos
E dos graves
embaraços
Eu sacudo a
lama do capote
E com a mão cheia
de areia
Eu iludo meio
mundo
Mesmo à cara podre
Olhem p ́ro que o outro é
Olhem p ́ro que o outro diz
Olhem p’ro que o outro faz
Mas não olhem para mim
Pois, eu
veementemente
nego as acusações, eu
Estou a ser alvo
De vis difamações, eu
Esclareço tudo
Com vãs divagações, eu,
Eu dou a cara
À cara podre
Apesar dos dedos
Que me apontam em enredos
Não vacilo
E mantenho firme a pose
Juro pela minha honra
Pela saúde dos filhos
Mesmo à cara podre
Olhem p’ro que o outro é
Olhem p’ro que o outro diz
Olhem p’ro que o outro faz
Mas não olhem para mim
Deram-te a cultura
O conhecimento
A Literatura
Ignoraste
Deram-te a ciência
E a tecnologia
A medicina
E tu negaste
Deram-te o humanismo
E a igualdade
A humanidade, sim a
humanidade
E a utopia para agarrares
À tua vontade
Tu largaste
Puseste a cabeça aí
nesse buraco
Escolheste o abismo só porque
sim
Porque era fácil
Deram-te a justiça
E a tolerância
Direitos humanos
Não ligaste
Deram-te um planeta
Paz, democracia
Para cuidares
Não cuidaste
Deram-te a iniciativa
E a liberdade
A humanidade, sim a humanidade
Tiveste um futuro para acreditares
Para avançares
Mas tu recusaste
Puseste a cabeça aí
Nesse buraco
Escolheste o abismo só porque sim
Porque era fácil
Repete-se a história vezes sem fim
E tu nem sabes
Um dia os teus netos dirão de ti
Que foste um fraco
Lá vem ele muito feroz
Atirar pra cima de nós
teorias como tijolos
pica pica pica-miolos
Fujam fujam muitas cautelas
Tranquem portas cerrem janelas
Não tem freio nem protocolo
O pica pica pica-miolos
O pica pica
pica-miolos
Pica pica pica-miolos
Pica pica pica-miolos
Pica pica pica
Quer impor uma opinião
Contra toda e qualquer
razão
Quem lhe dá conversa é tolo
O pica pica pica-miolos
Vem para negar a ciência
Toda e qualquer evidência
Nessa teia eu não me
enrolo
Pica pica pica-miolos
Refrão
“Eu sou o pica-miolos
O pica-miolos
Trago papas e bolos
Sou o pica-miolos”
Lá vem ele muito feroz
Atirar pra cima de nós
teorias como tijolos
Pica pica pica-miolos
Quer impor uma opinião
Contra toda e qualquer razão
Quem lhe dá conversa é tolo
O pica pica pica-miolos
Refrão
Lá vem o pica miolos
Vem picar-nos a cabeça
Quando o vejo digo logo
Ó homem desapareça
O meu povo desertou
Daqui da nossa aldeia
Tanta terra semeou
Mas colheu poucas ideias
Aqui nada mais resta
Além da minha solidão
Mas sozinha eu faço a festa
E organizo a procissão
Vai andor vai andor vai andor
vai andor
Vai andor vai andor vai andor
vai andor
Vai
Passou aqui noutro dia
Bem falante um autarca
Que esta aldeia é muito rica
Dá mais lítio que batata
Diz que é pros telemóveis
Carros e o diabo a sete
Mas pra quê num fim do mundo
Sem estrada ou internet?
Veio aqui muito pomposo
Um grande investidor
Qu’isto é maravilhoso
Com este rio não há melhor
Fala em infra-estruturas
Que o turismo é um bom tacho
Isto sem saneamento
Vai o rio esgoto abaixo
Chegou aqui d’outra terra
Um grupo associativo
Diz que o que está na berra
E o conceito criativo
Há aldeias de xisto
Do queijo e até da asma
Eu propus no meu conceito
A aldeia fantasma
Aqui não há empregos
Não há oportunidades
Inauguram cemitérios
Encerram maternidades
só um milagre peço
Quando rezo aos santinhos
Um dia que eu não possa os
andores andem sozinhos
Ficha técnica